A verdade sobre a dor e os analgésicos




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Os remédios para dor estão presentes na vida de muitas pessoas, com a intenção de aliviar esta sensação, que realmente é muito desagradável. Mas como será que os analgésicos atuam em nosso corpo para aliviar essa sensação ruim? Será que o medicamento que foi o escolhido é o mais indicado para o tipo de dor?

Neste artigo, vamos conhecer como o nosso corpo nos avisa, através da dor, que alguma coisa não está bem, e como alguns dos principais medicamentos analgésicos agem para aliviar a dor.


O que é dor

A dor pode ser explicada como uma sensação de desconforto, que acontece porque alguma parte do nosso corpo ou sofreu alguma agressão, ou não está trabalhando como deveria. É a forma como nossas células nervosas percebem o que aconteceu e nos “avisam”.

A forma como sentimos esse sinal do corpo pode ser diferente de pessoa para pessoa e a intensidade da dor pode ser diferente em cada fase da nossa vida.


Como o nosso cérebro interpreta a dor

Para entendermos o que um analgésico faz para aliviar uma dor, primeiro é preciso entender como o nosso corpo produz a sensação de dor e como o nosso cérebro a interpreta.

No artigo sobre a Memória, conhecemos as nossas células nervosas e a forma como elas se comunicam entre si enviando sinais umas para as outras. Se você quiser relembrar, leia o trecho Como o nosso cérebro grava as lembranças na memoria.

sistema nervoso periférico
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Uma informação que podemos acrescentar aqui é que também possuímos essas células espalhadas por todo o nosso corpo, mas aqui elas se colocam como uma fila: uma após a outra, formando uma corrente de células nervosas, que chamamos de nervos.

Os nervos que conduzem sinais elétricos de todas as regiões do corpo até o cérebro são chamados de sensitivos e informam ao cérebro qualquer coisa que aconteça no corpo, e os que conduzem sinais do cérebro com as ordens do que deve ser feito naquelas regiões do corpo são chamados de efetuadores.

Quando acontece algum problema em alguma região do nosso corpo, as células nervosas que estão próximas à área afetada enviam sinais umas às outras até esses sinais chegarem ao cérebro, que interpreta que naquele local existe uma lesão e emite, através de outras células nervosas, sinais de dor até o local da lesão. É por esse motivo que sentimos a dor no local onde está o problema.


Mas como essas células nervosas “ficam sabendo” que ocorreu algum dano naquela região?

Quando ocorre algum tipo de lesão, as membranas das células que foram rompidas liberam substâncias, uma delas é chamada ácido aracdônico, que é transformado, por enzimas chamadas de COX, em vários sinalizadores, entre eles os chamados de prostaglandinas.

As prostaglandinas, além de outras atividades em nosso corpo, nesse caso, sinalizam para as células nervosas, informando que ocorreu uma lesão celular. As enzimas COX também estão presentes no cérebro e, ao receberem um estímulo de dor, são induzidas a produzirem as prostaglandinas.


O que um analgésico faz para aliviar a dor

E é nesse ponto que a maioria dos analgésicos atua: impedindo a formação de prostaglandinas, de várias formas diferentes. Esses fazem parte da classe dos analgésicos não opióides, que interferem na sensação dolorosa em si.

A outra classe é a dos analgésicos opióides, que interferem na forma emocional como sentimos a dor e como reagimos a ela. Eles podem atuar estimulando o nosso corpo a produzir seus próprios analgésicos: isso mesmo, o nosso corpo também produz substâncias para aliviar a dor.


Os analgésicos endógenos

O nosso corpo tem todo um mecanismo para nos fazer sentir dor, mas também tem um mecanismo para aliviar a dor. Esse mecanismo é a produção dos chamados opióides endógenos, que são substâncias que o nosso corpo produz para aumentar a sensação de bem-estar, melhorar o humor e diminuir a reação emocional à dor.

Existem várias dessas substâncias, mas a mais conhecida é a beta-endorfina. Muitos analgésicos foram criados para estimularem a produção dessas substâncias, ou para serem parecidas com elas e as substituírem, produzindo o mesmo efeito.


Alguns analgésicos e seus mecanismos de ação

Será difícil colocar neste artigo todos os tipos de analgésicos, mas tentaremos falar dos que são mais utilizados, para você conhecer como eles atuam no seu organismo, aliviando a dor.


Ácido acetilsalicílico, Ibuprofeno, Diclofenaco

São os chamados anti-inflamatórios não esteróides, atuam inibindo as enzimas COX, evitando assim a produção do sinalizador prostaglandina. Também são utilizados como analgésicos, mas sua principal função é anti-inflamatória, um mecanismo de ação que será melhor explicado em outro artigo.


Paracetamol e Dipirona

A forma de atuação da Dipirona ainda não está totalmente esclarecida. Alguns estudos afirmam que ela inibe a enzima COX, portanto evita a produção de prostaglandina, mas também existem estudos que afirmam que ela tem ação no sistema nervoso central, ou seja, também atua no cérebro e na medula, auxiliando a diminuir a reação emocional à dor.

Já o Paracetamol atua inibindo a produção de prostaglandinas somente no cérebro: por esse motivo é utilizado apenas para aliviar a dor e não tem o efeito de reduzir a inflamação.


Morfina

É um analgésico opióide, então possui um formato parecido com o das endorfinas, nossos analgésicos naturais. Atua principalmente aumentando a sensação de bem-estar e diminuindo a reação emocional à dor. É utilizada somente em casos de dores muito fortes, em que outros analgésicos já não fazem mais efeito.


E a automedicação vale a pena?

É importante lembrar que este artigo não deve ser considerado como uma fonte de consulta para tomar um analgésico por conta própria.

Se você está com dor, precisa saber o que está acontecendo no seu corpo e porque ele gerou essa dor.

Às vezes, somente um analgésico não vai resolver o seu problema: pode ser necessário um anti-inflamatório, caso o problema seja uma inflamação ou um antibiótico, caso o problema seja uma infecção bacteriana. Nesses casos, tomar um analgésico só vai aliviar a dor por algumas horas, e quando o efeito do medicamento passar, a dor voltará, talvez ainda maior, já que o problema não está sendo tratado.

É por este motivo que você deve consultar um médico, que é quem avalia qual o motivo da dor e escolhe qual o tipo de medicamento que é o mais indicado para o tratamento, e também decide se é necessário o uso de algum analgésico.

Após a consulta médica, converse também com o seu farmacêutico, que vai lhe orientar qual a melhor forma de tomar os medicamentos que o médico indicou, pois o horário que você toma um remédio pode interferir na sua forma de ação.


E você, conhece alguma forma de aliviar a dor, sem tomar remédios? Então, compartilhe com a gente, deixando seu comentário.